quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Vídeo-aula 16: A construção de valores e a dimensão afetiva


Nesta vídeo-aula, ministrada pela professora Viviane Pinheiro, trabalhamos a dimensão afetiva na construção de valores. Ao observamos o artigo de Jean Piaget do ano de 1953, nos sinaliza a integração entre inteligência e afetividade, para ele a afetividade servia como fonte de energia para motivar a cognição.
Também analisamos uma pesquisa empírica realizada com professores pela autora Valéria Morin Arantes, que nos apresenta uma situação de conflito moral, onde uma professora encontra um aluno utilizando entorpecentes no banheiro. A autora separou três grupos de professores, onde um era positivo a relação com o aluno, o outro era negativo e o terceiro por sua vez era neutro. Através desta pesquisa percebeu-se que o grupo que era positivo em seus sentimentos teve uma maior indicação de atitudes ativas da professora, onde ela conseguia se mobilizar para ajudar o aluno em questão; já o grupo induzido a ser negativo tendeu a ter uma atitude passiva da professora em relação ao aluno. Sendo assim provou-se que a afetividade é ligada a cognição e ambas atuam juntamente no funcionamento psíquico. É claro que não devemos desmerecer a pesquisa de Jean Piaget, já que foi a partir de sua idéia que se desenvolveu novas pesquisas relacionadas ao tema.
Há dois sentimentos que estão relacionados à elaboração ou não de valores pelos sujeitos, que são: vergonha e culpa. O que as diferencia são vários aspectos, mas serão enfatizados dois principais, é que quanto à vergonha ela se relaciona à forma como o outro me vê, enquanto a culpa é mais a auto-avaliação do sujeito. Na vergonha temos a vontade de esconder, escapar, fugir, pois não queremos ter esse olhar do outro, quanto à culpa eu quero me desculpar, me confessar tentando resolver a situação. Observamos os aspectos que os diferencia, agora veremos os aspectos que os relacionam e por isso são tão estudados na área da moralidade, eles são sentimentos morais, quando temos um valor esse sentimentos vem a referendar ou refutar esse valor, são tidos como emoções negativas já que a pessoa que o sente fica triste, são atribuições internas que são vivenciadas nas relações interpessoais e regulam os valores morais. Nessa parte de regulação é o que se dá muita ênfase nos sentimentos de vergonha e culpa nos estudos atuais sobre a moralidade humana, exemplo: se um sujeito entra em um quarto escuro e não consegue ficar lá e vai embora, esse sujeito pode sentir-se envergonhado dessa situação, se ele se sentiu envergonhado significa que ele tem a coragem como valor, pois se não a tivesse, não teria o porquê sentir vergonha.
Foi possível conhecer uma pesquisa realizada pela professora Viviane, do ano de 2009 com o título: A generosidade e os sentimentos morais: um estudo exploratório na perspectiva dos Modelos Organizadores do Pensamento, que foi realizada com alunos da rede pública e particular da cidade de São Paulo em que foi contada uma história aos alunos relacionada à generosidade, foi possível perceber que uma parcela dos sujeitos não envolveu sentimentos de culpa e vergonha. Já o outro grupo envolveu sentimentos de culpa e vergonha, o que significa que esses alunos possuem o valor de generosidade senão eles não teriam sentido tais sentimentos.
Esses estudos que conhecemos podem implicar educacionalmente através dos sentimentos que devem ser objeto de conhecimento a ser trabalhado na escola e percebemos o quão é importante trabalhá-los. Não devemos diminuir os vínculos afetivos, os laços de amizade; deve ser realizado um trabalho com sentimentos morais e promover um ambiente mais saudável e feliz, pois foi possível perceber que as pessoas que tem sentimentos positivos têm uma tendência mais acentuada de resolver seus problemas ativamente e não mais passivamente.

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